CBD e a Doença de Parkinson

22-07-2020

Dia Mundial do Cérebro - 22 de Julho de 2020

Em 2014, a World Federation of Neurology instituiu esta data  para celebrar o Dia Mundial do Cérebro. 

Objetivo? Apelar para as grandes questões do Cérebro e para a importância da sua discussão na qualidade da vida humana.

Este ano o tema é "move together to end Parkinson's Disease". 

Pretende-se, assim, alertar para a necessidade de todos nós movermos esforços para diagnosticar mais cedo, tratar com mais eficácia e melhorar a vida de quem é portador desta doença de Parkinson, assim como os seus cuidadores.

Dado que hoje é o dia oficial do lançamento do projecto CBD Bloom e tendo em conta que a cannabis medicinal oferece provas científicas positivas (ver ao longo do texto)  para a Doença de Parkinson, este paper poderá auxiliar nas tomadas de decisão.


O que é a doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é uma perturbação neurológica progressiva que afeta o movimento. Surge, habitualmente, após os 60 anos. É comumente conhecida pelos tremores, mas as pessoas também podem sentir rigidez e lentidão de movimentos. Os sintomas geralmente aparecem gradualmente e podem ser despercebidos no início.


Em termos epidemiológicos, a doença de Parkinson é a segunda perturbação neurodegenerativa mais comum, sendo apenas ultrapassada pela doença de Alzheimer. Entre 7 e 10 milhões de pessoas em todo o mundo convivem com esta doença.

Os sintomas de Parkinson podem incluir:

Tremor - geralmente começa num membro, na mão ou nos dedos. Além disso, os tremores acontecem mesmo quando o corpo está em repouso.

Movimento lento e músculos rígidos - com o tempo, a doença de Parkinson pode desacelerar o movimento, dificultando e demorando tarefas simples. Os passos podem ficar mais curtos quando os pacientes caminham, e podem arrastar os pés enquanto andam. A rigidez muscular pode ocorrer em qualquer parte do corpo. Os músculos rígidos podem causar dor e limitar a amplitude de movimento.

Postura e equilíbrio - a postura pode ficar curvada e o equilíbrio pode tornar-se um problema.

Perda de movimentos automáticos - as pessoas podem ter uma capacidade reduzida de realizar movimentos inconscientes, incluindo piscar, sorrir ou balançar os braços quando andam.

Alterações da linguagem verbal e escrita - o paciente pode falar baixinho, rapidamente, ofender involuntariamente os seus familiares, amigos ou conhecidos, sofrer muitas hesitações antes de falar. A fala pode tornar-se arrastada e monótona, o discurso errático. A escrita também pode sofrer alterações devido às alterações na motricidade fina.

Os sintomas adicionais incluem expressões faciais diminuídas, demência ou confusão, fadiga, perturbação do sono, depressão, alterações cognitivas, medo, ansiedade e problemas urinários. Fonte


Tratamento tradicional e Medicamentos para a doença de Parkinson


Actualmente, não há cura para a doença de Parkinson. Os sintomas são tratados com mudanças no estilo de vida, psicoterapia, medicação e, em alguns casos, cirurgia. 

Os tratamentos incluem uma dieta equilibrada e saudável, bem como exercícios regulares. As terapias normalmente incluem: fisioterapia, terapia ocupacional e terapia da fala, uma vez que estas metodologias têm o potencial de aumentar a funcionalidade e, portanto, podem melhorar a qualidade geral da vida do paciente. 

Os medicamentos normalmente usados ​​são aqueles que afetam os níveis de dopamina do paciente. São eficazes devido ao facto de que a doença de Parkinson é causada por uma redução nos níveis de dopamina. Quando os níveis de dopamina são reduzidos significativamente (60-80%), as células onde a dopamina é produzida (a substância negra) começam a morrer e os sintomas aparecem.

Como com qualquer medicamento, existem efeitos colaterais que podem ser desafiadores, especialmente quando usados ​​a longo prazo, como é o caso da doença de Parkinson. Alguns efeitos colaterais incluem: náusea, tonturas, perda de apetite, baixa pressão sanguínea, confusão, movimentos incontroláveis ​​da face, braços, pernas ou tronco (discinesia).

Uma das muitas razões pelas quais a Ciência se interessou pelo CBD como tratamento para a doença de Parkinson é esta: este tratamento ajuda a aliviar os sintomas associados à medicação.


Cannabis e a Doença de Parkinson

Como em muitas outras condições médicas, não há pesquisas clínicas suficientes para afirmar conclusivamente que a cannabis é um tratamento eficaz para a doença de Parkinson, mas existem pesquisas a decorrer e os resultados parecem promissores. Independentemente dos dados clínicos, muitas pessoas optam por usar a cannabis para tratar os seus sintomas e para gerirem os efeitos colaterais do uso de medicamentos, a longo prazo.

Algumas investigações sugerem que CBD pode melhorar a qualidade de vida geral das pessoas com doença de Parkinson. Num estudo publicado no Journal of Psychopharmacology, em 2014, para uma amostra de 21 pacientes, aqueles que foram tratados com 75 mg a 300 mg de CBD por dia relataram um aumento significativo na qualidade de vida.


Discinesia e Cannabis

A discinesia é um dos efeitos a longo prazo mais comuns desenvolvidos em algumas pessoas com doença de Parkinson. É descrito como um movimento incontrolável. Pode ocorrer numa parte do corpo, como um braço ou perna, ou pode afetar todo o corpo sendo que as manifestações podem manifestar-se como sacudir a cabeça ou balançar o corpo. 

Algumas pessoas são capazes de gerir os sintomas sem muita dificuldade, enquanto outras acham que isso causa uma quantidade significativa de dor. Para aqueles que experimentam sintomas dolorosos ou difíceis de gerir, pode ser um desafio realizar as simples atividades físicas da vida diárias. Além disso, os pacientes vêm, de uma maneira geral, que as suas vidas sociais ficam profundamente afectadas.

O tratamento típico para a discinesia é a alteração da medicação por um tipo de medicamento ligeiramente diferente.

A CBD pode ser um tratamento alternativo que tem o potencial de permitir que as pessoas tomem uma dose mais baixa de medicação e ainda consigam gerir seus sintomas. Mesmo que não afete diretamente os tremores, ajuda a controlar a dor e a melhorar a qualidade de vida em geral. 


Óleo de CBD para a doença de Parkinson


Como a doença de Parkinson afeta a capacidade do cérebro de produzir dopamina, investigadores da Universidade de Louisville (Kentucky, Estados Unidos), descobriram que o CBD atua como um "agonista inverso" nos receptores de CPR6. Esses receptores são encontrados predominantemente na região dos gânglios da base do cérebro, o que afeta as funções de movimento do corpo. Isso significa que a CBD potencialmente responde dentro dos receptores para fornecer efeitos terapêuticos contra os sintomas da doença de Parkinson. Qualquer aumento nos níveis de dopamina neutralizaria a diminuição constante dos neurónios dopaminérgicos experimentados por aqueles que sofrem de doença de Parkinson. Fonte


THC ou CBD para a Doença de Parkinson: qual é melhor?

Devido ao fato de que o THC e o CBD afetam o corpo e o cérebro de maneira diferente, muitas vezes é recomendável que o THC e o CBD sejam usados ​​em conjunto. Juan Sanchez-Ramos, MD, PhD, líder no campo de perturbações do movimento e diretor da Parkinson Research Foundation,  refere incentivar os seus pacientes a começarem com um produto THC / CBD de 1: 1, se conseguirem. 

Referiu ainda ser necessário encontrar produtos puros e de grande qualidade.


Qual é a melhor dose para doença de Parkinson?

Os médicos que apoiam o uso da cannabis perceberam que a dosagem para pacientes com doença de Parkinson não está em conformidade com uma abordagem única. No seu livro Cannabis Revealed (2016), o Dr. Bonni Goldstein discutiu quão variada por ser a resposta de um paciente com Doença de Parkinson à cannabis e à terapêutica da cannabis:

"Vários dos meus pacientes com Doença de Parkinson relataram os benefícios do uso de diferentes métodos diferentes perfis de canabinóides. Alguns pacientes encontraram alívio dos tremores com THC inalado e outros não. Alguns pacientes encontraram alívio com altas doses de cannabis rica em CBD ingeridas sublingualmente. Alguns pacientes estão a usar uma combinação de CBD e THC... São necessárias tentativas e erros para descobrir qual o perfil e o método de canabinóides funcionará melhor. Recomenda-se, no início, uma dose baixa e a titulação, principalmente com cannabis rica em THC. (...)" 

Se está preocupado com a alta associação ao THC, lembre-se de que o CBD ajuda a neutralizar a substância psicoativa que o THC produz, mas recomenda-se começar com uma porção mais baixa e ajustar lentamente para encontrar a que é indicada para si. (Fonte)

Para mais apoios, poderá Solicitar informações técnicas.


Outras fontes:

Goldstein, B. (2016). Parkinson's Disease. In B. Goldstein, Cannabis Revealed (pp. 206-208). Bonni Goldstein.

Chagas MH, Zuardi AW, Tumas V, et al. Effects of cannabidiol in the treatment of patients with Parkinson's disease: an exploratory double-blind trial. J Psychopharmacol (Oxford). 2014;28(11):1088-98. doi:10.1177/0269881114550355