Terapia Cognitiva para a Doença de Alzheimer: o que fazemos e como?

04-08-2020


Descrição da Doença e Epidemiologia...

A Doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras). 

Esta deterioração tem como consequências alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas atividades de vida diária.O nome desta doença deve-se a Alois Alzheimer, médico alemão que em 1907, descreveu pela primeira vez a doença.

Em Portugal, não existindo até à data um estudo epidemiológico que retrate a real situação do problema, podemos ter como referência os dados da Alzheimer Europe que apontam para mais de 193 mil e 500 pessoas com demência (Alzheimer Europe, 2019).

Quais são os sintomas?...

Nas fases iniciais, os sintomas da Doença de Alzheimer podem ser muito subtis. Todavia, começam frequentemente por lapsos de memória e dificuldade em encontrar as palavras certas para objetos do quotidiano.

Estes sintomas agravam-se à medida que as células cerebrais vão morrendo e a comunicação entre estas fica alterada.

Outros sintomas incluem:

  • Dificuldades de memória persistentes e frequentes, especialmente de acontecimentos recentes;
  • Discurso vago durante as conversações;
  • Falta de entusiasmo na realização de atividades que antes eram significativas e apreciadas;
  • Atrasos na realização de atividades de rotina;
  • Falta de memória sobre pessoas ou lugares conhecidos;
  • Incapacidade para compreender questões e instruções;
  • Deterioração de competências sociais;
  • Imprevisibilidade emocional.

Consoante as pessoas e as áreas cerebrais afetadas, os sintomas podem variar e a doença progridirá a um ritmo diferente. As capacidades da pessoa podem alterar-se de dia para dia ou mesmo no próprio dia, podendo agravar-se em períodos de stress, fadiga e outros desafios que surjam, incluindo os problemas de saúde do próprio paciente. No entanto, e uma vez que esta doença é, actualmente, irreversível, denotar-se-à uma deterioração ao longo do tempo. A Doença de Alzheimer é progressiva e degenerativa.

A Terapia Cognitiva para a Doença de Alzheimer



A Terapia visa o treino da memória (sobretudo a memória implícita e a memória procedimental), assim como das restantes funções executivas, incluindo aquelas que dizem respeito às atividades de vida diárias.


A maioria das doenças comuns associadas à demência é de natureza progressiva e os objetivos de reabilitação mudam ao longo do tratamento, ou seja, à medida que mudam as necessidades do paciente também se modificam os processos de reabilitação em causa. É o que acontece na da Doença de Alzheimer.

Algumas abordagens de tratamento são consideradas compensatórias e outras são restauradoras. 

As abordagens de tratamento compensatórias focam-se no treino de métodos e habilidades específicas individuais para compensar ou superar défices que não são passíveis de recuperação. 

Os tratamentos restauradores envolvem a terapia direta com o objetivo de melhorar ou restaurar as funções prejudicadas.

Metodologia...

No nosso trabalho, assumimos a responsabilidade ética de fornecer serviços que maximizam o funcionamento das funções executivas e da comunicação do paciente em relação ao seu meio social e familiar, em todas as etapas do processo da doença. 

As decisões sobre metas e opções de tratamento são tomadas em colaboração com o indivíduo, a família, os cuidadores e outros profissionais de saúde, incluindo médicos, equipas de enfermagem e neuropsicólogos envolvidos no processo. 

No início e durante o curso do tratamento, compartilhamos informações sobre a situação com o indivíduo e, se este der autorização, compartilhamos a informação possível com a família e com os cuidadores, e fornecemos psicoterapia familiar e formação para os cuidadores informais. 

Trabalhamos a intervenção centrada na pessoa, ou seja, focamo-nos em maximizar a capacidade do paciente para participar em atividades que para ele sejam significativas. 

Ao desenvolver um plano de tratamento e ao formular objetivos funcionais para o paciente, transformamos o nosso trabalho em algo pessoal e único. Porquê? Porque cada pessoa é única e singular no seu trajeto. 

Além disso, consideramos sempre a formação cultural e linguística do paciente, a sua história social, o contexto social atual, as necessidades de comunicação e os seus desejos pessoais. 

É imperativo sabermos também sobre as suas expectativas de cuidados continuados ao longo do tempo, incluindo diretrizes futuras de alimentação e deglutição. 

Em suma, o objetivo do tratamento terapia cognitiva na Doença de Alzheimer é maximizar a qualidade de vida e o sucesso da comunicação do indivíduo, usando qualquer abordagem ou combinação de abordagens que atenda às necessidades e valores da pessoa. 


Estamos aqui para auxiliar. Se precisa de apoio, para si ou para um familiar ou amigo, contacte através do formulário ou ligue directamente 915046634 (Fernanda Barata). 

Este artigo foi escrito com base nas evidências científicas actuais sobre a Doença de Alzheimer e tem o patrocínio de:

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